sexta-feira, 11 de abril de 2008

Asfalto Vermelho na greve dos servidores municipais de Salvador

Em Assembléia no dia 09/04/2008 os servidores públicos de Salvador decidiram entrar em greve rechaçando a proposta do prefeito João Henrique (PMDB) de aumento de apenas 5% (equivalente à R$ 20,00 e referente, apenas, à inflação do ano passado para cá) e divido em duas parcelas, uma para agora e outra para o mês de setembro. A postura do prefeito passou por cima da pauta de reivindicação da categoria que também reivindicava aumento nas gratificações (20 %) e aumento de 10 % (com as duas etapas propostas pelo prefeito.
Com o slogan JOÃO NÃO! 5% É TRAIÇÃO! o sindicato impulsionou o início da greve. Aparentemente cumpriu seu papel. Mas só aparentemente.
Vale a pena ressaltar que no ano passado o SINDSEPS (Sindicato dos Servidores da Prefeitura de Salvador) havia fechado um acordo rebaixado com a prefeitura de Salvador. Há época tanto o PC do B quanto o PT (corrente EDP, vinculado à Pellegrino) participavam do governo municipal. A categoria não entrou em greve e as assembléias esvaziadas (provocadas pela pouca mobilização feita pelo sindicato) acabaram servindo de processo de validação de um recuo histórico do sindicato. Dos 18% ou greve, o sindicato rebaixou a proposta para 10% e achou que estava de bom tamanho, defendendo a proposta do prefeito. O PSOL (Corrente CEP - Campo Ético e Popular) criticava a postura do sindicato. Estranhamente, nas últimas eleições o PSOL se aliou ao PC do B e ao PT -EDP com o discurso de estar "combatendo os burocratas sindicais do ArtSind - PT"! Acontece que ambos os campos se polarizavam no campo da disputa burocrática.
Enfim, o PSOL fecha com os partidos traidores da classe trabalhadora e, o mais espantoso, a partir da pasta de comunicação, burocratiza ainda mais a comunicação do sindicato com a base.
Na campanha desse ano (as aparições do sindicato se limitam às eleições e campanhas salariais, mesmo assim em algumas secretarias) serviu-se da desmobilização da categoria. Na Secretaria Municipal de Educação e na de Saúde ou as chamadas para Assembléias não chegavam ou chegavam em cima da hora. Mais uma vez o SINDSEPS serviu como elemento desmobilizador, já que, numa categoria tão dispersa, as informações nem sequer eram socializadas com a categoria.
No final das contas, o Sindseps tem um discurso bonito na teoria, mas de conciliação na prática. Defende a divisão do aumento salarial (para agora e para setembro), ou seja, receberemos na prática um aumento e meio. Além disso, defendem um aumento maior nas gratificações (que não incorporam na aposentadoria) do que no próprio salário.
O sindicato discursa nos quatros cantos que a categoria está em greve e a adesão é grande. Uma grande mentira!
Diversos trabalhadores continuam trabalhando, em locais e secretarias onde o sindicato continua sem ir e ameaçados pelas chefias em perder o ponto.
A categoria deve exigir do sindicato uma postura realmente de luta e reivindicar um aumento salarial significativo, o fim dos contratos com empresas terceirizadas e a efetivação de todos os trabalhadores e trabalhadoras terceirizados!!
Deve ser radical em relação ao Instituto de Previdência de Salvador - IPS, para que volte à atender os servidores de forma qualitativa, já que hoje temos que recorrer ao SUS, mesmo pagando contribuição para a manutenção do IPS!

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