sexta-feira, 25 de julho de 2008

Curso com João Bernardo

Apesar de saber que quase ninguém lê esse blog, estou deixando essa convocatória para quem quiser, hoje ou a posteriore, conhecer mais o autor, já que têm links que oferecem essa oportunidade. Quem estiver afim é só entrar em contato com o email indicado abaixo. Caso se interessem, existe uma Ficha de Inscrição que pode ser solicitado no mesmo email.

Classes sociais, vanguardas e elites polí­ticas

Curso com João Bernardo

(18 a 21 de agosto de 2008)
João Bernardo é um pensador marxista português, autor de uma obra elaborada nas últimas três décadas, e que reúne, além de inúmeros ensaios e artigos em revistas especializadas, um total de dezesseis livros, publicados em Portugal e no Brasil, alguns deles com tradução integral ou parcial para o francês e o espanhol.
Tendo como ponto de partida a experiência prática do movimento operário internacional nos séculos XIX e XX, em particular as práticas de ocupações de fábricas e de autogestão em empresas no perí­odo da Revolução dos Cravos (1974) e do "perí­odo revolucionário em curso" (PREC - 1974-1975) em Portugal, João Bernardo definiu seu projeto de marxismo centrado no que chama de "marxismo das relações de produção", que, como programa teórico e prático, contrapôs ao "marxismo das forças produtivas", representado pelos partidos comunistas da época e demais formas burocratizadas de organização.
Ainda na década de 1970, e em pleno processo revolucionário português, este programa polí­tico de autonomia do movimento operário fundamentou a construção do jornal Combate (1974-1978), um verdadeiro espaço de intercâmbio e solidariedade entre os trabalhadores em luta, cuja coleção completa hoje se encontra disponí­vel na internet.
Desde então, João Bernardo tem aprofundado sua crí­tica simultânea ao capitalismo e às formas burocratizadas de luta anticapitalista em livros como "Para uma teoria do modo de produção comunista" (1975), "Marx crí­tico de Marx" (1977), "Capital, sindicatos, gestores" (1987), "Economia dos conflitos sociais" (1991), "Transnacionalização do capital e fragmentação dos trabalhadores" (2000), "Labirintos do fascismo" (2003), "Democracia totalitária" (2004) e outros.
Os temas sugeridos para o curso são:
a) Análise de conjuntura;b) Composição atual e fragmentação da classe trabalhadora;c) Vanguarda e partidos polí­ticos;d) Estado, sindicatos e movimentos sociais (autonomia X institucionalização das lutas);e) Burocratização e autonomia nas lutas sociais;f) Aliança entre estudantes e trabalhadores;g) Os gestores enquanto classe dominante na fase atual do capitalismo.
Outras informações:
* O curso será realizado no CEAS (Rua Aristides Novis, 101 - Estrada de São Lázaro, Federação, próximo à Escola Politécnica/UFBa), das 18:30 às 21:30, com iní­cio no dia 18/08 e término no dia 21/08;* Para solicitar a inscrição, preencha a ficha em anexo e envie para o e-mail do curso (classesevanguardas@gmail.com);* Quando confirmarmos sua inscrição, enviaremos um número de conta para depósito da colaboração e outras orientações.
IMPORTANTE! Financiamento do curso:
* O curso será auto-construí­do e auto-financiado pelos participantes. Informe-se sobre as reuniões da Comissão de Organização;* Aqueles que não estiverem em condições de contribuir financeiramente com a construção do curso devem solicitar isenção;* Aos que podem colaborar, indicamos um valor de R$10,00 para estudantes e R$20,00 para trabalhadores empregados, podendo ser um valor maior caso tenha disponibilidade.

Contra a criminalização dos movimentos sociais

Retirado do site: www.revolutas.net


Contra a criminalização dos movimentos sociais. Participe!

Estimados amigos/as

Os movimentos sociais da assembleia popular, da via campesina Brasil e outras entidades do povo brasileiro, tomaram a iniciativa de realizar uma campanha nacional de envio de cartas a autoridades brasileiras durante a semana de 22 a 25 de julho de 2008.
Essas cartas tratam de diversos casos em que está havendo clara perseguição e tentativa de criminalizar os movimentos sociais e seus militantes.
Em anexo, estamos enviando quatro cartas com diferentes destinatários, conforme o caso e seus respectivos correios eletrônicos a quem enviar a carta.
1. Uma carta dirigida às autoridades, STF etc, cobrando o respeito aos direitos. Em especial, denunciado a espionagem e a solução definitiva para o caso da raposa serra do sol, que será novamente julgada na primeira semana de agosto.
2. Carta ao Tribunal Federal de Porto alegre, contra o enquadramento de oito militantes do MST na LSN em processo aberto em Carazinho-RS, cuja primeira audiência será dia 29 de julho. Dai também a urgência de serem enviados ate dia 25 de julho.
3. Carta a governadora do RS protestando contra sua política repressora.
4. carta ao Tribunal Federal de Brasil que ira julgar recurso, contra a condenação a dois anos de prisão do advogado Jose Batista da CPT de Marabá.
Todas essas cartas devem ser enviadas por correio eletrônico mais tardar até 25 de julho, para terem também efeito legal.
Pedimos a quem aderir que coloque o nome, RG, entidade a que pertence, se for o caso, e o município onde mora.
Divulguem a campanha entre seus amigos, e entidades. Quanto mais cartas chegarem aos destinatários, melhor.
Se você preferir fazer outra versão de carta, sinta-se à vontade.
Saudações
Secretaria Operativa da Via Campesina Brasil
Moção Batista CPT Pará
Carta à governadora Yeda Crusius
Carta ao TRF sobre processo em Carazinho
Carta as autoridades brasileiras

FONTE: MST SITE:
www.mst.org.br Publicação: 21/07/2008

Clássicos: Economia Política por Marx

retirado do site: www.marxists.org - seção: Karl Marx e Friedrich Engels - Grundrisse

Introdução à Crítica da Economia Política - Karl Marx
3. O Método da Economia Política

Ao estudarmos um determinado país do ponto de vista da sua economia política, começamos por analisar a sua população, a divisão desta em classes, a cidade, o campo, o mar, os diferentes ramos da produção, a exportação e a importação, a produção e o consumo anuais, os preços das mercadorias, etc.
Parece correto começar pelo real e o concreto, pelo que se supõe efetivo; por exemplo, na economia, partir da população, que constitui a base e o sujeito do ato social da produção no seu conjunto. Contudo, a um exame mais atento, tal revela-se falso. A população é uma abstração quando, por exemplo, deixamos de lado as classes de que se compõe. Por sua vez, estas classes serão uma palavra oca se ignorarmos os elementos em que se baseiam, por exemplo, o trabalho assalariado, o capital, etc. Estes últimos supõem a troca, a divisão do trabalho, os preços, etc. O capital, por exemplo, não é nada sem o trabalho assalariado, sem o valor, sem o dinheiro, sem os preços, etc.
Por conseguinte, se começássemos simplesmente pela população, teríamos uma visão caótica do conjunto. Por uma análise cada vez mais precisa chegaríamos a representações cada vez mais simples; do concreto inicialmente representado passaríamos a abstrações progressivamente mais sutis até alcançarmos as determinações mais simples. Aqui chegados, teríamos que empreender a viagem de regresso até encontrarmos de novo a população - desta vez não teríamos uma idéia caótica de todo, mas uma rica totalidade com múltiplas determinações e relações.
Tal foi historicamente, a primeira via adotada pela economia política ao surgir. Os economistas do século XVII, por exemplo, partem sempre do todo vivo: a população, a nação, o Estado, vários Estados, etc.,; no entanto, acabam sempre por descobrir, mediante a análise, um certo número de relações gerais abstratas determinantes, tais como a divisão do trabalho, o dinheiro, o valor, etc. Uma vez fixados e mais ou menos elaborados estes fatores começam a surgir os sistemas econômicos que, partindo de noções simples - trabalho, divisão do trabalho, necessidade, valor de troca - se elevam até ao Estado, à troca entre nações, ao mercado universal. Eis, manifestamente, o método científico correto.
O concreto é concreto porque é a síntese de múltiplas determinações e, por isso, é a unidade do diverso. Aparece no pensamento como processo de síntese, como resultado, e não como ponto de partida, embora seja o verdadeiro ponto de partida, e, portanto, também, o ponto de partida da intuição e da representação. No primeiro caso, a representação plena é volatilizada numa determinação abstrata; no segundo caso, as determinações abstratas conduzem à reprodução do concreto pela via do pensamento. Eis por que Hegel caiu na ilusão de conceber o real como resultado do pensamento que, partindo de si mesmo se concentra em si mesmo, se aprofunda em si mesmo e se movimenta por si mesmo; ao passo que o método que consiste em elevar-se do abstrato ao concreto é, para o pensamento, apenas a maneira de se apropriar do concreto, de o reproduzir na forma de concreto pensado; porém, não é este de modo nenhum o processo de gênese do concreto em si. Com efeito, a mais simples categoria econômica - por exemplo, o valor de troca - supõe uma população, população essa que produz em condições determinadas; supõe ainda um certo tipo de família, ou de comunidade, ou de Estado, etc. Tal valor não pode existir nunca senão sob a forma de relação unilateral e abstrata, no seio de um todo concreto e vivo já dado. Pelo contrário, como categoria, o valor de troca tem uma existência anti-diluviana.
Assim, para a consistência filosófica - que considera que o pensamento que concebe é o homem real, e que, portanto, o mundo só é real quando concebido -para esta consciência, é o movimento das categorias que lhe aparece com um verdadeiro ato de produção (o qual recebe do exterior um pequeno impulso, coisa que esta consciência só muito a contra gosto admite> que produz o mundo. Isto é exato (embora aqui nos vamos encontrar com uma nova tautologia>, na medida em que a totalidade concreta, enquanto totalidade do pensamento, enquanto concreto do pensamento é in fact um produto do pensamento, do ato de conceber; não é de modo nenhum, porém, produto do conceito que pensa e se gera a si próprio e que atua fora e acima da intuição e da representação; pelo contrário, é um produto do trabalho de elaboração, que transforma a intuição e a representação em conceitos. O todo, tal como aparece na mente como um todo pensamento, é produto da mente que pensa e se apropria do mundo do único modo que lhe é possível; modo que difere completamente da apropriação desse mundo na arte, na religião, no espírito prático. O sujeito real conserva a sua autonomia fora da mente, antes e depois, pelo menos durante o tempo em que o cérebro se comporte de maneira puramente especulativa, teórica. Por consequência, também no método teórico é necessário que o sujeito - a sociedade - esteja constantemente presente na representação como ponto de partida.
Mas não terão também estas categorias simples uma existência histórica ou natural autônoma anterior às categorias concretas? Ça dépend; Hegel, por exemplo, tem razão em começar a sua Filosofia do Direito pela posse, a mais simples das relações jurídicas entre indivíduos; ora não existe posse antes da família ou das relações de servidão e dominação, que são relações muito mais concretas; em contrapartida, seria correto dizer que existem famílias e tribos que se limitam a possuir, mas que não têm propriedade. A categoria mais simples relativa à posse aparece, portanto, como uma relação de simples comunidades familiares ou de tribos; numa sociedade mais avançada, aparece como a relação mais simples de uma organização mais desenvolvida; porém, está sempre implícito o sujeito concreto cuja relação é a posse. Podemos imaginar um selvagem isolado que seja possuidor, mas, neste caso, a posse não é uma relação jurídica. Não é exato que, historicamente, a posse evolua até à família; pelo contrário, a posse pressupõe sempre a existência dessa "categoria jurídica mais concreta".
Seja como for, não deixa de ser verdade que as categorias simples são expressão de relações nas quais o concreto menos desenvolvido pode já ter-se realizado sem estabelecer ainda a relação ou o vínculo mais multilateral expresso teoricamente na categoria mais correta; esta categoria simples pode substituir como relação secundária quando a entidade concreta se encontra mais desenvolvida. O dinheiro pode existir, e de fato existiu historicamente, antes do capital, dos bancos, do trabalho assalariado, etc.; deste ponto de vista pode afirmar-se que a categoria mais simples pode exprimir relações dominantes de um todo não desenvolvido, ou relações secundárias de um todo mais desenvolvido, relações essas que já existiam historicamente antes de o todo se ter desenvolvido no sentido expresso por uma categoria _mais concreta. Só então o percurso do pensamento abstrato, que se eleva do simples ao complexo, poderia corresponder ao processo histórico real.
Por outro lado, podemos afirmar que existem formas de sociedade muito desenvolvidas, embora historicamente imaturas; nelas encontramos as formas mais elevadas da economia, tais como a cooperação, uma desenvolvida divisão do trabalho, etc., sem que exista qualquer espécie de dinheiro; tal é o caso do Peru. Assim também, nas comunidades eslavas, o dinheiro e a troca que o condiciona não aparecem, ou aparecem muito raramente no seio de cada comunidade, mas já surgem nos seus confins, no tráfico com outras comunidades. De aqui que seja em geral errado situar a troca interna à comunidade como o elemento constitutivo originário. A princípio, a troca surge de preferência nas relações entre comunidades, mais do que nas relações entre indivíduos no interior de uma única comunidade.
Além disso, se bem que o dinheiro tenha desempenhado desde muito cedo um papel múltiplo, na Antiguidade só pertence, como elemento dominante, a certas nações unilateralmente determinadas, a nações comerciais; e até na própria antiguidade mais evoluída, na Grécia e em Roma, o dinheiro só vem a alcançar o seu pleno desenvolvimento - um dos pressupostos da sociedade burguesa moderna - no período da dissolução.
Por conseguinte, esta categoria inteiramente simples, só aparece historicamente em toda a sua intensidade nas condições mais desenvolvidas da sociedade. Mas não impregna de maneira nenhuma todas as relações econômicas; no apogeu do Império Romano, por exemplo, o tributo e as prestações em gêneros continuavam a ser fundamentais; o dinheiro propriamente dito só estava completamente desenvolvido no exército. Nunca chegou a dominar na totalidade da esfera do trabalho.
De modo que - embora historicamente a categoria mais simples possa ter existido antes da categoria mais concreta - ela só pode pertencer, no seu pleno desenvolvimento intensivo e extensivo, a uma forma de sociedade complexa, ao passo que a categoria mais concreta se encontrava mais desenvolvida numa forma de sociedade mais atrasada.
O trabalho parece ser uma categoria muito simples; e a idéia de trabalho nesse sentido - isto é trabalho, sem mais - é muito antiga. No entanto, tomando esta sua simplicidade do ponto de vista econômico, o "trabalho" é uma categoria tão moderna como as relações que originam esta mesma abstração simples. O monetarismo, por exemplo - de forma perfeitamente objetiva situava ainda a riqueza no dinheiro, considerando-a como algo de exterior. Relativamente a isto, operou-se um grande progresso quando o sistema manufatureiro ou comercial passou a situar a fonte de riqueza, não no objeto, mas na atividade subjetiva - o trabalho, manufatureiro ou comercial - embora continuasse a conceber esta atividade apenas como atividade limitada produtora de dinheiro. Com relação a este sistema, o dos fisiocratas [realiza novo progresso e] situa a fonte de riqueza numa forma determinada de trabalho - o trabalho agrícola; além disso, concebia o objeto não como a forma exterior do dinheiro, mas como produto enquanto tal, como resultado geral do trabalho. Mesmo assim, dado o caráter limitado da atividade, este produto continua a ser um produto determinado da natureza, quer dizer, um produto agrícola, produto da terra par excellence, Progrediu-se imenso quando Adam Smith rejeitou toda e qualquer especificação acerca das formas particulares da atividade criadora de riqueza, considerando-a como trabalho puro e simples, isto é, nem trabalho manufatureiro, nem trabalho comercial, nem trabalho agrícola, mas qualquer deles, indiferentemente; a esta universalidade da atividade criadora de riqueza corresponde a universalidade do objeto enquanto riqueza -produto em geral, quer dizer trabalho em geral, embora [neste caso] se trate de trabalho passado, objetivado. A dificuldade e a importância desta transição para a nova concepção, está patente no fato de o próprio Adam Smith, aqui e ali, pender para o sistema fisiocrático.
Poderia agora parecer que se encontrou muito simplesmente a expressão abstrata da mais antiga e mais simples relação que, na sua qualidade de produtores, os homens estabeleceram entre si - e isto independentemente da forma da sociedade. Isto é verdadeiro num sentido, e falso noutro. Com efeito, a indiferença em relação a toda a forma particular de trabalho supõe a existência de um conjunto muito diversificado de gêneros reais de trabalho, nenhum dos quais predomina sobre os outros. Assim as abstrações mais gerais apenas podem surgir quando surge o desenvolvimento mais rico do concreto, quando um elemento aparece como o que é comum a muitos, como comum a todos. Então, já não pode ser pensado unicamente como forma particular. Por outro lado, esta abstração do trabalho em geral não é apenas o resultado intelectual de um todo concreto de trabalhos: a indiferença em relação a uma forma determinada de trabalho corresponde a uma forma de sociedade na qual os indivíduos podem passar facilmente de um trabalho para outro, sendo para eles fortuito - e portanto indiferente - o gênero determinado do trabalho. Nestas condições, o trabalho transformou-se - não só como categoria, mas na própria realidade - num meio de produzir riqueza em geral e, como determinação já não está adstrito ao individuo como sua particularidade. Este estado de coisas atingiu o seu maior desenvolvimento na forma mais moderna das sociedades burguesas - os Estados Unidos; consequentemente, só nos Estados Unidos a categoria abstrata "trabalho", "trabalho em geral", trabalho sans phrase - ponto de partida da economia moderna - se tornou uma verdade prática. Deste modo, a abstração mais simples - que a economia moderna põe em primeiro plano, como expressão de uma relação antiquíssima e válida para todas as formas de sociedade - só vem a aparecer como verdade prática- e com este grau de abstração - enquanto categoria da sociedade moderna.
Poder-se-ia dizer que a indiferença em relação a toda a forma determinada de trabalho, que nos Estados Unidos é um produto histórico, se manifesta entre os russos, por exemplo, como uma disposição natural. Contudo, há uma diferença considerável entre bárbaros aptos para qualquer trabalho e civilizados que por si próprios se dedicam a tudo; além disso, esta indiferença em relação a qualquer forma determinada de trabalho corresponde na prática, entre os russos, à sua sujeição tradicional a um trabalho bem determinado, a que só podem arrancá-los influências exteriores. Este exemplo do trabalho mostra com clareza que as categorias mais abstratas, embora sejam válidas para todas as épocas (devido à sua natureza abstrata, precisamente), são também - no que a sua abstração tem de determinado - o produto de condições históricas e só são plenamente válidas para estas condições e dentro dos seus limites.
A sociedade burguesa é a mais complexa e desenvolvida organização histórica da produção. As categorias que exprimem as relações desta sociedade, e que permitem compreender a sua estrutura, permitem-nos ao mesmo tempo entender a estrutura e as relações de produção das sociedades desaparecidas, sobre cujas ruínas e elementos ela se ergueu, cujos vestígios ainda não superados continua a arrastar consigo, ao mesmo tempo que desenvolve em si a significação plena de alguns indícios prévios, etc. A anatomia do homem dá-nos uma chave para compreender a anatomia do macaco. Por outro lado as virtualidades que anunciam uma forma superior nas espécies animais inferiores só pode ser compreendidas quando a própria forma superior é já conhecida. Do mesmo modo, a economia burguesa dá-nos a chave da economia da Antiguidade, etc., - embora nunca à maneira dos economistas, que suprimem todas as diferenças históricas e vêm a forma burguesa em todas as formas de sociedade. Podemos compreender o tributo, a dízima, etc., quando conhecemos a renda fundiária; mas não há razão para identificar uns com a outra. Além disso, como a sociedade burguesa não é em si mais do que uma forma antagônica do desenvolvimento histórico, certas relações pertencentes a sociedades anteriores só aparecem nesta sociedade de maneira atrofiada, ou mesmo disfarçada. Por exemplo, a propriedade comunal.Por conseguinte, sendo embora verdade que as categorias da economia burguesa são até certo ponto válidas para todas as outras formas de sociedade, tal deve ser admitido cum grano salis; podem conter essas formas de um modo desenvolvido, ou atrofiado, ou caricaturado, etc.; porém, existirá sempre uma diferença essencial. A invocação da chamada evolução histórica repousa geralmente no fato de que a última forma de sociedade considera as outras como simples etapas que a ela conduzem e, dado que só em raras ocasiões, só em condições bem determinadas, é capaz de fazer a sua própria crítica - não falamos, claro, dos períodos históricos que se consideram a si próprios como uma época de decadência - concebe sempre essas etapas de um modo unilateral. A religião cristã só pode contribuir para que se compreendessem de um modo objetivo as mitologias anteriores, quando se prontificou até certo ponto, por assim dizer virtualmente, a fazer a sua própria auto-crítica. Do msmo modo, a economia burguesa só ascendeu à compreensão das sociedades feudal, clássica e oriental, quando começou a criticar-se a si própria. A crítica a que a economia burguesa submeteu as sociedades anteriores - especialmente o feudalismo, contra o qual a burguesia teve de lutar diretamente - assemelha-se à critica do paganismo pelo cristianismo, ou até à do catolicismo pelo protestantismo - isto quando não se identificou pura e simplesmente com o passado, fabricando a sua própria mitologia.
Como, em geral, em toda a ciência histórica, social, ao observar o desenvolvimento das categorias econômicas há que ter sempre presente que o sujeito - neste caso a sociedade burguesa moderna - é algo dado tanto na realidade como na mente; e que, por conseguinte, essas categorias exprimem formas e modos de existência, amiudadamente simples aspectos desta sociedade, deste sujeito; e que, portanto, mesmo do ponto de vista científico, esta sociedade não começa a existir de maneira nenhuma apenas a partir do momento em que se começa a falar dela como tal. uma regra a fixar, pois dá-nos elementos decisivos para o [nosso] plano [de estudo]. Por exemplo, parecia naturalíssimo começar [a nossa análise] pela renda imobiliária, pela propriedade agrária, pois estão ligadas à terra, fonte de toda a produção e de toda a existência, e também àquela que foi a primeira forma de produção de todas as sociedades mais ou menos estabilizadas - a agricultura; ora, nada seria mais errado do que isto; em todas as formações sociais, existe uma produção determinada que estabelece os limites e a importância de todas as outras e cujas relações determinam, portanto, os limites e importância das outras todas. E a iluminação geral que banha todas as cores e modifica as suas tonalidades particulares. como um éter particular que determina o peso específico de todas as formas de existência que nele se salientam.
Consideremos por exemplo os povos de pastores (os povos de simples caçadores e scadores não atingiram ainda o ponto em que começa o verdadeiro desenvolvimento>. Encontramos nestes povos uma forma esporádica de agricultura. Desse modo se determina a propriedade agrária. Esta propriedade é comum e conserva mais ou menos esta forma, consoante estes povos estão mais ou menos ligados às suas tradições: é o caso da propriedade comunal entre os Eslavos.
Nos povos que praticam a agricultura sedentária - e a sedentarização é já um progresso importante - e em que predomina essa atividade, como na Antiguidade e na sociedade feudal, a própria indústria, bem como a sua organização e as formas de propriedade que lhe correspondem, reveste-se - em maior ou menor grau -do caráter da propriedade agrária; a indústria, ou depende completamente da agricultura, como na Roma Antiga ou reproduz, na cidade, a organização e as relações do campo, como na Idade Média; o próprio capital - à exceção do puro e simples capital monetário - reveste-se na Idade Média, na forma de instrumentos de trabalho artesanal, etc., desse caráter de propriedade agrária. Na sociedade burguesa sucede o contrário: a agricultura transforma-se cada vez mais num simples ramo industrial, e é completamente dominada pelo capital. O mesmo se passa com a renda agrária. Em todas as formas de sociedade em que domina a propriedade agrária, a relação com a natureza é ainda preponderante. Em contrapartida, naqueles em que domina o capital, são [preponderantes] os elementos socialmente, historicamente criados. Não se pode compreender a renda imobiliária sem o capital, mas pode-se compreender o capital sem a renda imobiliária. O capital é a potência econômica da sociedade burguesa, potência que domina tudo; constitui necessariamente o ponto de partida e o ponto de chegada, e deve, portanto, ser analisado antes da propriedade agrária; uma vez analisado cada um em particular devem ser estudadas as suas relações recíprocas.
Por conseguinte, seria impraticável e errado apresentar a sucessão das categorias econômicas pela ordem que foram historicamente determinantes; a sua ordem, pelo contrário, é determinada pelas relações que mantêm entre si na moderna sociedade burguesa, ordem essa que é exatamente a inversa da que parece ser a sua ordem natural ou a do seu desenvolvimento histórico. Não está em causa a posição que as relações econômicas ocupam historicamente na sucessão das diferentes formas de sociedade; nem tampouco a sua ordem de sucessão "na idéia" (Proudhon), (uma representação nebulosa do movimento histórico). O que nos interessa é a sua estruturação no interior da moderna sociedade burguesa.
Os povos comerciantes - Fenícios, Cartagineses -surgiram em toda a sua pureza no mundo antigo; esta pureza (caráter determinado abstrato) deve-se precisamente à própria predominância dos povos agricultores; o capital, comercial ou monetário, aparece justamente sob esta forma abstrata sempre que o capital não é ainda o elemento dominante das sociedades. Lombardos e Judeus ocupam uma posição semelhante relativamente às sociedades medievais que praticam a agricultura.
Outro exemplo [ilustrativo] das posições diferentes que as mesmas categorias ocupam em diferentes estágios da sociedade: as sociedades por ações (joint - stock - companies), uma das mais recentes instituições da sociedade burguesa, apareciam já no dealbar da era burguesa, nas grandes companhias mercantis que gozavam de privilégios e monopólios.
O próprio conceito da riqueza nacional insinua-se nos economistas do século XVII - e subsiste em parte nos do século XVIII - sob um aspecto tal que a riqueza aparece como criada exclusivamente para o Estado, cujo poder é proporcional a essa riqueza. Esta era uma forma, ainda inconscientemente hipócrita, sob a qual se anunciava a riqueza e a sua produção como o objetivo dos Estados modernos, considerados unicamente como meios de produzir riqueza.
Estabelecer claramente a divisão [dos nossos estudos] de maneira tal que [se tratem]:
1) As determinações abstratas gerais mais ou menos válidas para todas as formas de sociedade, mas no sentido atrás exposto.
2) As categorias que constituem a estrutura interna da sociedade burguesa, sobre as quais repousam as classes fundamentais. O capital, o trabalho assalariado, a propriedade agrária; as suas relações recíprocas. A cidade e o campo. As três grandes classes sociais; a troca entre estas. A circulação. O crédito (privado).
3) Síntese da sociedade burguesa, sob a forma de Estado, considerada em relação consigo própria. As classes "improdutivas". Os impostos. A dívida pública. O crédito público. A população. As colônias. A emigração.
4) As relações internacionais da produção. A divisão internacional. A exportação e a importação. Os câmbios.
5) O mercado mundial e as crises.

Balanço sobre o I Congresso da Conlutas

Apesar de ter algumas críticas à esse balanço que não vai muito além da disputa de quem é mais esquerda do que quem, secundarizando a luta contra o governo, na análise de conjuntura da América Latina e etc e por uma nova lógica no movimento da classe trabalhadora, é o balanço mais coerente que vi. Boa leitura!!

retirado do site: www.ler-qi.org

quinta-feira 17 de julho de 2008
DECLARAÇÃO

Balanço do I Congresso da Conlutas

A Coordenação Nacional de Lutas surgiu em 2004 com o objetivo de se apresentar como alternativa para os trabalhadores frente à burocracia da CUT e depois votou incorporar setores da juventude e do movimento popular. Esse novo agrupamento de vanguarda antigovernista foi produto do processo de lutas contra o ataque do governo Lula à previdência social.
Desde o começo, nós da LER-QI, dedicamos nossas pequenas forças para fazer propostas que apontassem no sentido de avançar como uma organização política de vanguarda e uma coordenadora real das lutas, propondo programa, estratégia e táticas com o objetivo de transformá-la num pólo cada vez mais forte de combate à burocracia sindical, à patronal e ao governo, se ligando aos batalhões mais estratégicos da classe operária, da indústria e dos serviços, e aos setores mais explorados como os precarizados, terceirizados, os negros, as mulheres e a juventude trabalhadora.

Depois de 4 anos de existência, a Conlutas realizou o seu I Congresso em Betim, de 3 a 6 de julho. O PSTU chegou a propagandear que haveria 8 mil delegados, mas infelizmente foram 2805 delegados credenciados [1], o que não supera sequer o que a Conlutas reuniu há dois anos no CONAT. Não foi casual que o Congresso sequer apareceu em nenhum lugar na mídia. Mas a questão numérica e a presença muito minoritária de delegações dos principais batalhões da classe operária poderia ser compensada pelo conteúdo do Congresso. Porém, a verdade é que cada vez mais pesa sobre os ombros dos trabalhadores que estão dedicando sua energia à construção da Conlutas a política da direção majoritária, o PSTU, que está levando a um retrocesso político e organizativo.
Nesse sentido, queremos explicar aos trabalhadores e jovens presentes que puderam ver nossa batalha política junto ao Sintusp e àqueles que acompanham a dinâmica da Conlutas, porque consideramos que foi mais uma oportunidade perdida e por que é urgente tirar lições profundas que sejam capazes de reorientar a Conlutas. Não vamos discutir todas as questões que se apresentaram, mas as que consideramos mais importantes.
Um ponto que precede: a luta dos trabalhadores da REVAP
No momento em que soltamos esse balanço, os combativos trabalhadores da REVAP estão mais uma vez em luta, dessa vez diretamente política contra a demissão da comissão de trabalhadores que organizou a recente greve [2]. Os trabalhadores responderam à altura com greve e ocupação da refinaria, o que a patronal e o governo responderam com uma repressão policial sanguinária, centenas de demissões por "justa causa" e tirando os ônibus de locomoção dos terceirizados para a refinaria, permitindo a entrada somente dos efetivos.

Não queremos entrar aqui na discussão de todo o processo de luta, mas colocar em primeiro lugar a necessidade de cercar de solidariedade ativa urgentemente, pois se trata de uma tentativa de impor uma derrota histórica aos trabalhadores da REVAP que vem mostrando disposição de resistir, mas precisam de amplo apoio.
Além disso, queremos partir da luta da REVAP, porque expressa de maneira contundente e trágica uma das principais debilidades do Congresso da Conlutas e os limites estreitos dos cantos incessantes de vitórias propagados pelo PSTU, reproduzindo os métodos do petismo e do cutismo que consideram vitorioso todos os movimentos, só por terem existido. Mesmo que seja uma derrota contundente.
Qualquer um dos presentes no Congresso não pode negar que essa luta teve muito pouco peso nas discussões e que o Congresso não cumpriu um papel elementar: coordenar as lutas e as campanhas de solidariedade. Pior ainda é seguir com esse erro com tamanho perigo para os trabalhadores da REVAP. Temos dedicado todas as nossas pequenas forças para apoiar essa luta. Exigimos do PSTU que mude já o rumo e coloque todo seu peso a serviço da luta, impulsionando desde já uma campanha séria [3].
Para as eleições da APEOESP em São Paulo o PSTU mobilizou toda sua militância, seguindo a sua tradição de organizar até mesmo viagens de militantes para outros estados para diversas eleições. Porém, mais uma vez, quando se dá um processo de luta exemplar, não se vê a militância do PSTU dando nenhum peso, o que é responsabilidade em primeiro lugar de sua direção. Por que colocar seu peso militante somente para as eleições e não para as lutas reais dos trabalhadores?
Pior ainda, vemos os trabalhadores da REVAP serem brutalmente reprimidos pela polícia, justamente essa que foi tão defendida no Congresso da Conlutas, com os militantes do PSTU e do PSOL transformando-os não somente em "trabalhadores da segurança", mas em aliados desde já da revolução socialista! Mas os trabalhadores da REVAP não os consideram seus aliados. Pior ainda, tiveram que enfrenta-los a pedradas! Em que barricada se coloca o PSTU?

Infelizmente, nossa discussão sobre a polícia recebe agora a triste luz do enfrentamento entre os terceirizados combativos da REVAP e os "trabalhadores da segurança". Só se pode entender que o PSTU iguale o risco de vida que os trabalhadores estavam sofrendo com o massacre policial com o da própria polícia [4] quem tem acompanhado o curso cada vez mais grave do PSTU em apoio aos policiais.
A expressão mais absurda do pouco peso que se dá às lutas reais na Conlutas e o caráter eleitoreiro que impõe a direção do PSTU, foi a mesa de abertura do seu I Congresso composta pelas figuronas do PSOL, mas não pelos poucos trabalhadores da REVAP que ali estavam presentes, que deveriam ser o centro do Congresso junto aos trabalhadores dos correios que seguem em greve por fora da data-base e se enfrentando com a burocracia sindical, da GM que derrotaram o banco de horas, mas assinaram um acordo que aceita as horas extras e a precarização dos salários, os professores de São Paulo que estavam em greve, outras categorias em luta, assim como Didi, que o PSTU diz estar fazendo uma campanha (fantasma) contra sua demissão política, mas sequer se dirigiu aos delegados do Congresso a não ser para questões organizativas.
Em que conjuntura se deu o congresso?
A conjuntura é marcada por altos índices de popularidade do governo Lula, que ainda consegue se apoiar no crescimento econômico que se mantém e na burocracia sindical que controla o movimento de massas. Isso apesar dos elementos de crise do regime que seguem presentes, com sucessivos escândalos de corrupção e crise de legitimidade das instituições, e de crise do Estado, que não consegue dar uma saída ao problema da miséria social e dos pobres urbanos, o que gera conflitos sociais e um desgaste cada vez maior das forças de repressão como a polícia e o exército que ao contrário de resolverem o problema, o aprofundam.

Além disso, o aumento absurdo da inflação, um primeiro sintoma profundo da crise econômica internacional, vem abalando o discurso dos "fundamentos sólidos" da economia nacional, doendo no bolso da massa dos trabalhadores e sendo um motor de processos importantes de luta no movimento operário. É que, além da inflação, esses anos de crescimento econômico não geraram mais do que empregos precários e segue o desemprego massivo. Os aumentos salariais que houve foram miseráveis e vem sendo corroídos pela inflação. Essa é uma das bases profundas que faz com que o movimento operário venha entrando em cena, em especial os setores mais precarizados.
Passado e presente da luta contra a burocracia sindical da CUT A poucos meses do surgimento da Conlutas, o PSTU lançou a política de ruptura com a CUT, que nós alertávamos que era ultra-esquerdista na forma e oportunista no conteúdo, porque se dava num marco meramente organizativo que confundia direção e base da CUT e não numa ruptura com o modo petista e cutista de militar e o programa e que lhe correspondia. Para isso, seria necessário fazer um balanço profundo de toda sua trajetória anterior, que como temos buscado analisar na elaboração de nossas teses sobre o último ascenso operário, foi marcada pela adaptação à burocracia lulista.
O que mostra como a ruptura organizativa com a CUT não quer dizer uma ruptura política é, por um lado, o fato de que até mesmo o PCdoB rompeu com a CUT, e por outro, o fato de que após romper com a CUT, o PSTU ainda continuava fazendo parte das "chapas cutistas" que construiu junto com a Articulação em diversos sindicatos rebaixando o programa sem denunciar o governo e a burocracia da CUT. Ou seja, não travava um combate programático contra esses burocratas com os quais um dia resolveu romper.
Porém, o que a beira do Congresso mostra como estávamos corretos foi a formação de chapas do PSTU, em nome da Conlutas, com setores "em crise" da CUT no CPERS no RS e nos bancários de SP. Como colocamos no Congresso, não somos contra a frente única com outras centrais em defesa dos interesses dos trabalhadores, mas sim em chapas sindicais que abandonam o combate frontal ao governo, que foi o que ocorreu em ambos os casos. Não foi à toa que no próprio Congresso se expressou a crise de setores independentes combativos que participaram da chapa no RS.

Esses zig-zags que impõe a direção do PSTU a Conlutas – sectários (ultra esquerdistas) no que diz respeito a ter uma política para desmascarar a direção da CUT de unidade de ação e enfrentamento para a luta; e oportunistas para fazer chapas eleitorais rebaixando os programas quando a chave são as definições políticas e programáticas - deixam desarmados os trabalhadores da Conlutas frente a um cenário onde esses são os grandes responsáveis pelo controle do movimento de massas.
Que papel o Congresso da Conlutas deveria cumprir?
Frente a esse cenário, a Conlutas, apesar de minoritária, tem um importante papel a cumprir para aglutinar os setores de vanguarda. Isso apesar de que refluiu o processo de lutas no funcionalismo público que foi a base do surgimento da Conlutas, o governo segue com alta popularidade e a burocracia sindical segue com um grande controle sobre o movimento operário.
Em primeiro lugar, havia processos importantes de luta em meio ao Congresso que poderiam transformá-lo em um marco de coordenação. Além disso, apesar da Conlutas não ser de massas, estava colocada uma grande oportunidade para armá-la com um programa capaz de tirá-la do isolamento e começar a transformá-la numa referência sindical e política para setores mais amplos dos trabalhadores e do povo oprimido se levantasse uma política efetiva para esses problemas que são sentidos pelas massas como a inflação, a violência policial e a corrupção.
Abrindo as portas para o PSOL e para o chavismo
Um dos principais pontos debatidos no Congresso foi à posição em relação a Chávez e os governos burgueses da América Latina. A maioria dos companheiros que se expressaram sobre esse ponto, começando por Valério Arcary na abertura do Congresso, falaram contra Chávez denunciando seu caráter burguês, denunciando a repressão aos operários siderúrgicos da Sidor, que Chávez continua pagando a divida externa e alimentando a maquinaria de guerra dos EUA com o petróleo da Venezuela e que suas "nacionalizações" não são mais do que sociedades mistas com o empresariado local e o imperialismo.

Mas apesar desse importante debate, para não fechar as portas para os acordos eleitorais com PSOL, o PSTU se recusou a votar uma clara resolução contra Chávez e os governos burgueses da América Latina. Ao se abster dessa forma, o PSTU abriu mão da luta pela independência política dos trabalhadores, que deveria se expressar num combate a influencia do chavismo sobre o movimento de massa latino-americano. A resolução aprovada, de que a Conlutas não deve se posicionar, não só deixa as portas abertas ao PSOL (que insiste em não entrar apesar da insistência de anos do PSTU), como também deixa as portas abertas para os próprios chavistas e a conciliação de classes.
Na questão das eleições também se mostrou que um espectro ronda a Conlutas: o espectro do PSOL. Ao contrário de defender suas posições claramente perante o Congresso da Conlutas, o PSTU votou duas resoluções contraditórias. Para se cobrir "pela esquerda" aceitou a formulação proposta pelo Sintusp de "nenhum apoio a partidos burgueses ou partidos de esquerda que praticam a conciliação de classes", mas ao mesmo tempo votou que o Congresso não deveria se posicionar sobre a Frente de Esquerda. Pois essa Frente seria indefensável, já que é difícil explicar como um partido de "esquerda" como o PSOL que aprovou o super-simples e que tem uma direção que apóia alianças com partidos burgueses não defende a conciliação de classes.
Contra a política de adaptação ao PSOL nas eleições, que subordina a Conlutas a uma política de conciliação de classes, levamos ao Congresso uma proposta clara, que propunha a ruptura com a Frente de Esquerda e que chamava o PSTU a se apoiar na Conlutas para impulsionar uma verdadeira frente classista nas eleições, com um programa votado pelos trabalhadores e para o apoio às lutas em curso chegar a milhões de trabalhadores em todo o país.
A resolução de unidade com a Intersindical, assim como a resolução sobre eleições, deixa a direção do PSTU com as mãos livres para fazer todo tipo de acordo com o PSOL, rebaixando ainda mais o programa votado pelo Congresso da Conlutas. Contra esse tipo de unidade pelo alto, tão comum na prática petista, que sempre leva o setor mais radicalizado dos trabalhadores a abandonar a sua política para "não romper a unidade", defendemos que a única unidade correta com a Intersindical deve ser imposta a partir da luta pela unidade da própria classe, que está divida em efetivos e terceirizados, em trabalhadores bem pagos e precarizados e da luta para unificar nas lutas reais e não nos discursos. A unidade com a Intersindical não se dará em negociações de dirigentes, como demonstrou cabalmente a ruptura do MTL, mas deve ser imposta pela base, em cada sindicato e em cada categoria.

Fora a Policia da Conlutas!
A defesa entusiasmada feita pelo PSTU da presença de sindicatos e associações de policiais na Conlutas, inclusive a possibilidade de participarem da sua direção, é uma ruptura com o princípio de independência de classe e uma adaptação ao regime e ao Estado burguês. Na situação em que uma nova geração de trabalhadores e jovens surge para a vida política a partir da ruptura com o petismo, e que as políticas repressivas da burguesia contra o povo pobre das grandes cidades e do campo se aprofunda, o PSTU cumpriu um grande desfavor a causa dos trabalhadores.
Confundindo a posição dos revolucionários frente ao exército e a policia, defendendo abertamente que o policial é um trabalhador como outro qualquer, escondendo que a alta hierarquia da PM também participa das greves por maiores salários e melhores condições de "trabalho", o PSTU está educando toda a nova geração a confiar nos policiais e ver o policial como o setor social que pode assegurar a vitória da revolução. Isso é um abandono das posições revolucionárias que ensinam os trabalhadores a confiar só nas suas próprias forças, que ensinam que o único ponto sólido onde uma revolução pode se apoiar é no armamento das massas, que ensinam que sem armar o movimento operário é puro propagandismo falar em "rachar" o exército.
Com a sua resolução o PSTU poupa aos repressores o trabalho de enviar agentes infiltrados para as nossas reuniões, já que recebe de portas abertas os policiais. Isso é uma grave ameaça ao caráter independente da Conlutas e pode ameaçar também a própria segurança física dos integrantes da coordenação.
Chamamos todos os companheiros que repudiam a presença de policias na Conlutas, para se somarem a nós na luta que continuaremos travando contra essa política escandalosa. Fora à polícia da Conlutas!
É necessário romper com o legalismo e a estrutura sindical varguista
O PSTU defendeu e aprovou legalizar imediatamente a Conlutas como central sindical na nova lei aprovada pelo governo Lula. O principal argumento utilizado foi que legalizando a Conlutas ficará mais fácil conseguir a representação de novas categorias de trabalhadores nas negociações com a patronal.

Mas a lei aprovada pelo governo Lula tem como objetivo atrelar ainda mais os sindicatos e as centrais sindicais ao governo, coroando assim toda a estrutura legal que regula a forma como devem se organizar os trabalhadores, através da estrutura das datas-base e do papel disciplinador cumprido pela justiça do trabalho. Legalizar já a Conlutas significa abrir mão da luta contra a reforma sindical e se adaptar ao legalismo que hoje subordina as lutas operárias às regras impostas pela burguesia.
A única posição correta seria rechaçar essa lei e denunciar as reais intenções de Lula e do PT, considerando inclusive que a CUT nunca foi legalizada e que isso nunca impediu que fosse reconhecida pela patronal e pelo Estado nas negociações salariais. A luta contra a reforma sindical de Lula é apenas parte da luta contra toda a estrutura sindical vigente, desde os tempos do governo Vargas, que busca disciplinar o movimento operário. Uma das tarefas urgentes da Conlutas é avançar na ruptura com esse legalismo que predomina no sindicalismo brasileiro. A forma como a Conlutas vai garantir sua representatividade não vai ser através da sua legalização e sim do seu reconhecimento pela base dos trabalhadores em cada local de trabalho.
Uma resolução que exclui as oposições sindicais da Conlutas
A subordinação à estrutura sindical vigente que se expressou na defesa enérgica que o PSTU fez da legalização da Conlutas, se expressou ainda com mais força na resolução proibitiva que foi aprovada em relação às oposições sindicais. A partir deste Congresso só terão representação na Conlutas as oposições que já tiverem participado de eleições ou que tenham representação legal. Isso significa, por exemplo, que os operários da Revap (e a grande maioria dos setores terceirizados) não terão voto nas reuniões da Conlutas, pois nunca participaram de eleições sindicais. Também não poderão participar da Conlutas, com voz e voto, os companheiros que organizam oposições clandestinas e que se enfrentam diretamente com a repressão das patronais e da burocracia governista.

Chamamos os companheiros do PSTU a rever essa posição, que repete a prática política aplicada por Lula e pelas direções sindicais "autenticas" do ABC nas greves de 78-80. Nesse momento dezenas de milhares de metalúrgicos de São Paulo iam à greve organizados e dirigidos pela Oposição Metalúrgica, mas os sindicalistas do ABC aceitavam organizar uma Intersincal com a presença dos pelegos que dirigiam o sindicato, com Joaquinzão à frente, mas não aceitavam a Oposição.
O que significa concretamente a "estratégia socialista" para o PSTU?
O PSTU deu peso na defesa da estratégia socialista para a Conlutas. Nós não podemos mais do que concordar que os sindicatos da Conlutas devem ter essa perspectiva. Porém, é necessário um debate sobre qual é o conteúdo concreto dessa questão [5].
Em primeiro lugar, o que nós trabalhadores devemos entender por estratégia socialista? Para nós, a estratégia socialista significa que não basta que os trabalhadores se organizem somente para a luta econômica isoladamente em cada categoria, que é necessário não somente avançar na unidade das fileiras operárias para combater nossos inimigos de classe com um só punho não somente nas lutas econômicas, mas também se elevar à luta política, preparando os trabalhadores para arrancar o poder da burguesia e seu Estado, baseado nas organizações de auto-organização das massas, com um partido revolucionário à frente.
Adotar essa estratégia, significa em primeiro lugar não se adaptar ao sindicalismo e ao eleitoralismo. Ou seja, não transformar as táticas de participar das lutas e das eleições em estratégia, o que na verdade acaba deslizando no sentido de outra estratégia, que podemos chamar "estratégia de desgaste" [
6
]. Infelizmente, não é isso que se vê na prática do PSTU, que leva essa influência à Conlutas.
Mas também não podemos aceitar que se fale de estratégia socialista, fazendo discursos vermelhos, mas não se cumpre com o classismo mais elementar que é o de cercar de solidariedade as lutas dos trabalhadores como a da REVAP.
Por isso, fazemos um chamado a ser conseqüente quando se fala de "estratégia socialista".
Cotas bastam para lutar contra o racismo e a opressão das mulheres?
Para nós da LER-QI e para os trabalhadores que atuaram conosco nesse Congresso a defesa das mulheres e do povo negro são duas questões estratégicas na luta dos trabalhadores. São as mulheres e os negros os que em sua maioria engrossam as fileiras dos setores mais explorados da classe, que foram os mais atacados com a ofensiva neoliberal, que ocupam os piores empregos e recebem os menores salários. São esses setores justamente os primeiros estão indo à luta contra o rebaixamento salarial provocado pela inflação. No entanto, as duas principais resoluções a respeito foram cotas para as mulheres na direção dos sindicatos e cota para os negros na universidade. A questão da cota para mulheres nos sindicatos é uma questão tática e atinge uma ínfima minoria das trabalhadoras sindicalizadas e militantes. As questões fundamentais para a grande maioria não foram abordadas, pois não se discutiu como combater a reacionária campanha da Igreja Católica e de Heloisa Helena e como defender as milhares de mulheres do Mato Grosso do Sul e Limeira que estão sendo criminalizadas por terem feito abortos. Nem se discutiu como organizar a luta para igualar os salários entre homens e mulheres e como lutar por creches públicas. Para o movimento negro, a direção do PSTU reservou somente a organização das atividades culturais e o lançamento de um "novo movimento negro" a partir do "Quilombo" montado no Congresso. Infelizmente, na Plenária Final que votou as resoluções, o movimento negro pouco se expressou e não se discutiu que programa que os sindicatos da Conlutas devem levantar em defesa dos trabalhadores negros e do conjunto do povo negro. A única questão discutida foi a luta por cotas nas universidades, uma demanda que, se defendida por fora de uma programa de conjunto, é facilmente utilizada por setores burgueses e governistas para cooptar parcelas importantes do movimento negro.

Cerceamento do debate na Plenária Final
A conseqüência de uma orientação que deixa as portas abertas à conciliação de classes, à burocratização dos sindicatos e que abandona o combate à reforma sindical, é que mesmo o PSTU tendo a maioria do Congresso ao seu lado, não pode deixar o debate correr livremente na Plenária Final.
A direção do PSTU utilizou basicamente dois métodos para cercear o debate. Em primeiro lugar, usando o argumento da falta de tempo, aprovou uma resolução que garantia o poder da "comissão de sistematização" (totalmente controlada pelo PSTU) de decidir o que iria à votação e o que não iria. A discussão sobre Cuba, por exemplo, onde o PSTU mantém uma posição vergonhosa de não mais defender as conquistas da revolução que ainda restam, o que o leva a ter unidade na política pratica com os "gusanos" (como são chamados os capitalistas cubanos que vivem em Miami, nos EUA), não foi discutida em plenário. Como o PSTU queria evitar essa discussão, ela foi colocada por último na sistematização e consequentemente não foi à votação, assim como muitas outras resoluções aprovadas nos grupos de discussão.
A outra forma principal foi a prática dos amálgamas, que o PSTU utilizou para distorcer as propostas das minorias. Assim, muitas propostas independentes apareciam como adendos nas teses da maioria, mesmo que fossem opostas pelo vértice com outros pontos defendidos na mesma resolução pela maioria. Ou então, também juntava todas as propostas das minorias numa única defesa, reduzindo seu tempo de fala e apagando suas diferenças, muitas vezes fundamentais. O PSTU com esse tipo de pratica não faz mais do que demonstrar a sua fragilidade como partido e a pouca qualidade da discussão que faz com seus simpatizantes. E pior, também vai educando toda uma geração de trabalhadores e estudantes numa prática burocrática, oposta às melhores tradições do movimento operário.
A "ultra" funcional à política do PSTU
A política da LBI e outros grupos sectários, apesar da verborragia de esquerda, é muito conveniente ao PSTU. Como suas posições expressam apenas a vontade dessas organizações e não as necessidades reais do movimento operário, facilitam o trabalho desse partido de desqualificar todas as minorias, e acabam sendo um entrave à luta real pela independência de classe. Não à toa a LBI não teve a palavra vetada uma só vez na plenária final, com o PSTU estimulando suas falas.

Suas políticas são tão absurdas e lunáticas, que apesar das críticas estridentes, a resultante final é um embelezamento do PSTU. Para rechaçar qualquer tipo de unidade com a Intersindical, "batalha" que quiseram transformar na "grande luta principista" (não é coincidência que era a mera oposição à política central do PSTU e não ligada às necessidades reais dos trabalhadores), a LBI faz uma defesa do papel da Conlutas que a exalta nas nuvens como se fosse a grande resolução dos problemas da humanidade, mesmo hoje, sobre a direção absolutamente majoritária do PSTU que eles tanto criticam. Ao defender que a Conlutas deve se transformar na "Cocep", um embrião de duplo poder (!) e organizar sozinha uma greve geral contra Lula, a LBI, sem se dar conta disso, acaba atribuindo ao próprio PSTU uma força que ele não tem e defendendo que seja o próprio PSTU a cumprir com essas tarefas. Tarefas tão revolucionárias no discurso, quanto afastadas da realidade.
Cumprir com as resoluções que apontam para a independência de classe
Essa prática dos amálgamas levou o Congresso da Conlutas a aprovar apenas formalmente algumas resoluções que os militantes do PSTU tinham combatido nos grupos de discussão e outras que não constavam nas teses apresentadas pela maioria.
Desse conjunto de resoluções aprovadas formalmente, três delas apresentadas inicialmente pelos trabalhadores da USP são de fundamental importância para as lutas dos trabalhadores contra a inflação, pela independência de classe e contra a burocratização dos sindicatos. São elas: organizar uma campanha salarial de emergência no segundo semestre, não se restringindo às categorias que já tem data-base marcada; organizar uma campanha em defesa dos trabalhadores terceirizados defendendo sua imediata incorporação como trabalhadores efetivos e defendendo a equiparação salarial – igual trabalho, igual salário; e a resolução de que todos os dirigentes sindicais liberados a mais de um mandato devem voltar ao trabalho. Já tivemos a experiência no CONAT de como o PSTU incorpora de forma oportunista algumas resoluções para evitar o debate e depois não as aplica na realidade, como aconteceu com a luta pelo salário mínimo do Dieese. Exigimos que o PSTU cumpra com as resoluções votadas! Se não o fazem novamente, estarão demonstrando claramente que não querem construir nenhuma coordenação real de lutas em base à democracia operária.

Construamos uma corrente verdadeiramente classista e anti-burocrática na Conlutas
A política que vem impondo para a Conlutas sua direção majoritária não diminui a importância da luta em seu seio por uma política conseqüente. Por isso, viemos dando essa batalha e chamamos a todos os que tenham acordo com as posições que aqui colocamos, ainda que seja uma parte delas, a dar uma batalha em comum por essa perspectiva, para que a Conlutas possa de fato cumprir o papel que lhe cabe e não retroceder ainda mais.
Saudamos os companheiros do Sintusp pela batalha política travada no Congresso e chamamos os trabalhadores e jovens a se juntarem a nós para aprofundar essa perspectiva de construir uma Conlutas classista.
[1] Inclusive, só estavam presentes a maioria dos delegados na plenária inicial e final, sendo que dos grupos de discussão participaram cerca de 1500 pessoas.
[2] Chamamos os leitores a acompanharem esse processo de luta nesse site. Leia nosso balanço da campanha salarial da REVAP no Jornal Palavra Operária nº42 e nossa declaração frente à brutal repressão que sofreram.
[3] Até agora, o PSTU tem sido irresponsável frente às demissões e a repressão. Por exemplo, a reunião marcada no domingo em São José dos Campos para organizar o ato de 2ª feira, para a qual deslocamos camaradas de nossa organização, sequer aconteceu. No ato de 2ª feira, quase não se via a militância do PSTU, que sequer superava em número a militância da LER-QI. Além disso, não organizou nenhum operativo alternativo ao boicote patronal aos ônibus para garantir um ato forte nem mesmo uma superestrutura que desse cobertura a essa luta. Na quarta-feira, mais uma vez, estivemos presentes ao ato que foi um completo fracasso e onde o PSTU não colocou nenhum peso.

[4] Na nota da Conlutas de SJC de 11/07, é dito: "...a direção da Petrobrás, em São José dos Campos, autorizou, de maneira totalmente irresponsável, a entrada da Tropa de Choque e da Força Tática para reprimir os trabalhadores das obras de expansão, que estão em greve. Essa atitude colocou em risco a vida dos trabalhadores, da comunidade que cerca a refinaria e dos próprios policiais. Um acidente gravíssimo poderia ter acontecido e milhares de pessoas poderiam ficar feridas e até ter morrido."
[5] Os companheiros do PSTU colocavam como um dos argumentos centrais para defender essa resolução o fato de que essa seria em si uma superação da CUT. É verdade é que a CUT nunca teve uma estratégia socialista, afinal, apesar de expressar a força do movimento operário, sempre foi controlada pelos burocratas da Articulação que são opostos a essa estratégia. Porém, o PSTU deveria explicar então porque somente em 95, depois de mais de 10 anos de CUT dizia no boletim "Uma primeira avaliação da plenária nacional da CUT", do MTS (Movimento por uma Tendência Socialista-CUT), tendência sindical criada pelo PSTU que "o setor majoritário da direção nossa central [...] tem abandonado o projeto classista, de luta e socialista da origem da CUT e abraçado as concepções de reforma do capitalismo da social-democracia".
[6] Isso somente para diferenciar a "estratégia socialista" da "estratégia de desgaste", sem entrar nas diferentes "estratégias socialistas" que existem na esquerda e na história do movimento operário. Para aprofundar nesse "debate das diferentes estratégias na esquerda", ver "debate de estratégias" no JPO 35. Nele, dizemos: "a Revolução Russa deu lugar à estratégia da tomada do poder pela classe operária e da ditadura do proletariado (...) outras grandes revoluções, como a Revolução Chinesa ou a Revolução Vietnamita, deram lugar a outras estratégias, a estratégia da guerra popular prolongada; e a análise da experiência da Revolução Cubana por Ernesto Guevara e Regis Debray deu origem à estratégia do foquismo (...) Frente a essas três estratégias que surgem das revoluções, está a formulação de Kautsky da "estratégia de desgaste", surgida da ausência de revolução, mediante a qual se transforma a tática de participar de eleições e de participar em sindicatos em estratégia. Há trinta anos que não há uma revolução no mundo; há levantamentos, como na Bolívia, como na Venezuela, como na Argentina em 2001, porém revoluções proletárias clássicas, e muito menos triunfantes, não há desde 25 ou 30 anos (...) a "estratégia de desgaste" diz que participando das eleições, ganhando sindicatos, participando em manifestações de massas, etc., vamos desgastando o poder do inimigo até chegar um momento em que possamos nos impor ao poder do inimigo (...) mas em termos gerais quem termina se desgastando é ele, a menos que isso esteja ligado a uma estratégia maior (...) aqueles que lutam taticamente e não concebem a tática subordinada à estratégia estão gerando arrivistas pequeno-burgueses."

domingo, 6 de julho de 2008

Uma justa homenagem

Depois de um tempo parado, diretamente do site www.patofu.com.br uma musiquinha em homengem às:

Minhas Férias (John)

É duro viver todo dia
Quase todo dia eu vivo de montão
Procuro sempre novos modos de viver
E vivo sempre da mesma maneira
Ié, Ié, Ié... Ié, Ié, Ié... 2X
Logo cedo eu ganho um monte de bom dia
o dia é tão comprido
Eu durmo de noitão
Procuro novos modos de não morrer
E morro sempre da mesma maneira
Ié, Ié, Ié... Ié, Ié, Ié...
Eu estou vivo
Eu tô vivinho
Eu tô vivão
Tirar umas férias
Que tal tirar umas férias
Foi só uma maneira de esfriar o cabeção
Mas minha cabeça tem duas partes
Parte A e parte B
A parte boa acabou sendo a pior então